“ Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: "Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a.” (Gen1, 27-28)
Deus criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança e sendo Deus, Criador de todas as coisas, quis também que o homem e a mulher se assemelhassem a Ele, dando-lhes inteligência e capacidade de criar, de evoluir e inventar cada vez mais coisas novas (basta ver os avanços na área tecnológica e na medicina). Mas, acima de tudo, deu ao homem a capacidade de gerar vida. Deus nos amou de tal maneira que nos deu o maior de todos os dons, o de sermos co-criadores da espécie humana, gerando filhos para Ele. Deus poderia criar pessoas sem o nosso auxílio se o quisesse, mas em seu infinito amor Ele quis nos ter trabalhando com Ele, sendo criadores junto com Ele. Deus quis nos ver como participantes de sua obra de criação. Como se já não bastasse tudo o que Ele preparou para nós, o céu, as estrelas, os mares, as plantas, frutas, animais de todos os tipos, toda uma natureza preparada com carinho especial para nós, Ele quis ir além! Nos deu ainda o maior de todos os presentes, a capacidade de gerarmos filhos para Ele.
Entretanto a humanidade, com o passar dos tempos, por influência dos meios de comunicação de massa, das dificuldades econômico-financeiras das famílias, das grandes transformações que ocorreram no perfil das famílias nas últimas décadas ( entrada da mulher no mercado de trabalho, desigualdades sociais, crescente urbanização) passou a ver este grande presente de Deus, esta capacidade de gerar vida, como um problema e um obstáculo à felicidade. O que é verdadeira fonte de bênção e de alegria hoje é tido por grande parte da sociedade como um problema.
Se analisarmos a história da humanidade veremos como os filhos eram desejados pelas famílias e como eram considerados amaldiçoados aqueles que não tinham filhos. A Palavra de Deus nos diz no Salmo 126 : “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas. Tais como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude. Feliz o homem que assim encheu sua aljava: não será confundido quando defender a sua causa contra seus inimigos à porta da cidade.” Mas estamos vivendo em uma sociedade em que o consumismo, a ambição pelo dinheiro, pelo “ter”, por uma falsa liberdade estão tão grandes, que o ser humano tem se afastado do Amor Criador. E nesse afastamento, pessoas têm deixado de enxergar com os olhos de Deus e passam a enxergar miopemente, com os olhos do materialismo, que não permitem enxergar o outro de forma correta, como imagem e semelhança de Deus. Deste modo, o grande Dom de Deus, que é poder gerar vida, está sendo desprezado por muitos, que passaram a utilizar a inteligência recebida de Deus para criar e dar vida, para inventarem todo tipo de mecanismos para impedir e ou destruir a vida. São medicamentos, anticoncepcionais dos mais modernos e de variados tipos, preservativos para homens e mulheres, dispositivos intra-uterinos, cirurgias para esterilização tanto masculina como feminina (vasectomia e laqueadura das trompas), em fim, todos os meios possíveis para evitar a geração de uma nova vida.
A mentalidade de que filhos são um problema chegou a tal ponto que podemos até constatar uma luta em defesa da morte, para impedir que crianças já concebidas no ventre materno possam nascer, um grande, rico e bem arquitetado plano para a legalização do aborto em todo o mundo, de modo particular em nosso país. Um grande plano de legalização do mais cruel homicídio, o assassinato cruel de um ser indefeso que nada pode fazer para defender a sua vida.
Numa sociedade onde os verdadeiros valores éticos e morais estão sendo cada vez mais destruídos, nós, que cremos no plano de Amor de Deus para com homens e mulheres, não podemos ficar parados como se nada estivesse acontecendo. Precisamos levantar a bandeira da vida e testemunhar para o mundo que se fomos criados a imagem e semelhança de Deus, temos que nos comportar como seus filhos , parecidos com o Pai. Somos imagem e semelhança de um Deus que não somente é Pai, mas também é o Autor da vida. Sejamos então co-autores da vida e construtores da paz e o amor.
Giselle Maia